Uma história sem vencedores

Assim como a maioria das pessoas, quando fiquei sabendo da tragédia envolvendo crianças numa escola do Rio de Janeiro, eu chinguei até a morte o responsável por isso.

Hoje, mais calmo e sabendo dos fatos, percebo que essa história só tem vítimas.

Não que isso justifique os atos, mas eu consigo entender quais foram os motivos que levaram esse homem a fazer o que fez e um deles com certeza foi o bullyng.

Primeiro vamos a alguns fatos:

  • O nome dessa pessoa era Welington, foi adotado logo quando criança, pois a mãe tinha distúrbios mentais e o rejeitou logo que deu a luz.
  • Era o irmão adotado caçula e perdeu os pais adotivos um após o outro no fim da adolescência.
  • Sempre foi quieto, fechado, trabalhava o dia inteiro e depois ficava a noite na internet , isolado numa casa, sozinho.
  • Sem antecedentes criminais, nunca fez nada a ninguém.

Como alguém assim pira e faz um negócio desses?

Acredito que a resposta vem de um ciclo que se iniciou a muito tempo, muito provavelmente naquela escola onde ele deu os últimos passos. Em entrevista, um ex aluno, colega de Welington disse que em 3 anos, ouviu a voz dele 4 ou 5 vezes… ou seja, desde sempre, Welington era fechado e com o bullying que provavelmente sofreu isso só deve ter piorado.

Assim que ouvi toda história , eu já suspeitei que essa pessoa tinha sofrido algum tipo de de bullying na vida, mas quando assisti a entrevista de uma vítima, pude ter a certeza. Na entrevista, um menino obeso disse o seguinte:

“Ele começou a atirar e eu a pedir pelo amor de Deus que não me matasse. Na hora que começou a recarregar a arma, ele olha pra mim e diz: –  Calma gordinho,fica tranqüilo que eu não vou fazer nada com você”

Uma vítima reconhece a outra, tenho certeza que na cabeça de Welington ele pensou que o menino sofria as mesmas coisas que um dia sofreu, e por isso, o “absolveu”.

Agora, não foi a primeira vez que isso aconteceu aqui no Brasil e no mundo, então ao invés de  discutirmos a possibilidade de usar detectores de metais nas escolas, de dificultar o acesso as armas,  não discutimos a real CAUSA de tragédias como essa?

Eu sofri bullying na minha infância por pessoas que eu considerava amigos, mas foi algo leve, e com algum esforço pude contornar a situação e sei que isso me ajudou a ser uma pessoa melhor. Mas fico pensando naqueles que não conseguiram o mesmo, que se prendem ao sentimento da indiferença e do abandono e assim se entregam ao ódio.

As vezes o “zoador” não está fazendo por maldade,  pensa que é só uma brincadeira e que todos vão interpretar dessa maneira, mas AI ESTÁ O PONTO, quem garante que todos estão achando brincadeira? Quem garante que o alvo da chacota não interpreta tudo como uma rejeição e guarda aquilo para sempre?

Eu culpo os pais, por que criança não nasce com preconceito e geralmente apenas repete o que aprende em casa. Precisamos ficar atentos, ensinar desde sempre que existem sim diferenças, mas que precisam ser respeitadas.

A criança precisa aprender desde cedo a se colocar no lugar do outro.

Não sou o dono da verdade e situações como essa podem ter causas muito mais profundas do que as expostas aqui, mas independente disso, não podemos nos deixar tornar insensíveis quanto a isso e começar a achar normal, temos que ficar vigilantes! Afinal da próxima vez pode ser o SEU filho a levar um tiro… ou a puxar o gatilho.

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Sobre André Nery

André Nery, formado em Publicidade e Propaganda com ênfase em Marketing pela Unaerp de Ribeirão Preto em 2009. A experiência que adquiri até o momento foi como Design, que embora aprecie muito, tenho afinidade, interesse e disponibilidade para atuar nas demais áreas da Publicidade. Ver todos os artigos de André Nery

Uma resposta para “Uma história sem vencedores

  • cleusa

    parabens pelo ponto de vista, pois uma grande tragedia como esta
    paramos para ver somente o mal que ela causou esquecendo
    dos motivos que as levaram a isso,pois talves seja o motivo que levam
    ou vao levar a muitos cometerem crimes crueis e barbaros que costumamos
    a ver e muitas das vezes nem surpriender mais. vamos tomar cuidado
    com que falamos e ajimos com o proximo pois sem saber podemos estar
    ativando uma cadeia de odio e indiferença nas pessoas.

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