Sobre o Medo, os Outros e Zumbis. (Texto Colaborativo)

Olá Pensadores! 

Essa semana estreamos um novo canal aqui no Blog. Pessoas que desejam colaborar com o Blog, ou apenas expressar sua opinião sobre algum assunto, qualquer assunto que valha uma reflexão, terá um espaço para isso. Estreamos essa nova fase do Blog com nosso grande amigo Felipe Estevez, seja-bem vindo!

E você quer falar sobre algo? Escreve de vez em quando? Mande para nós, quem sabe semana que vem não é o seu texto que está por aqui?

Aquele Abraço!

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Sobre o Medo, os Outros e Zumbis.

Nessa minha primeira apresentação no blog dos meus queridíssimos amigos, decido comentar sobre um dos sentimentos mais interessantes do homem: o medo. Como escondemos esse sentimento, com que vergonha admitimos tê-lo! Porem, ele esta em nós (queiramos ou não) e ele se manifesta de diversas formas. A necessidade de não sentir medo é fundamental; a insegurança é símbolo da morte, e a segurança símbolo da vida. Não é de se estranhar que os animais não usam amuletos, e nós homens usamos. Nós sabemos da nossa finitude, e isso nos dá medo.

A milhares de anos nossos ancestrais viviam com medo. Imaginem uma horda de homens primitivos, num grupo de no máximo 8 pessoas, quando a noite começa a aparecer. A visão diminui, animais selvagens podiam aparecer e atacar, começava o frio e ao fundo só ruídos estranhos. Esses homens sentiam muito medo! Mas foi esse sentimento que impulsionou essas pessoas a serem criativas. Para protegerem-se das forças da natureza nossos antepassados criaram a sociedade. Um ajudava o outro e criavam instrumentos para defenderem-se: o fogo, as armas, as explicações para as coisas, a religião….

Assim surgiram as cidades. Com a descoberta da agricultura os homens puderam ficar num canto só, sem correrem o perigo de ficarem perambulando por ai. Porem o medo continuava. As cidades ainda podiam ser atacadas por tribos guerreiras ou outras criaturas assustadoras. Essa insegurança fez surgir uma nova invenção: o Estado. Era uma entidade que protegeria a todos dos perigos, exigindo em troca apenas sua cooperação e parte do seu trabalho. O problema é que uma vez no poder, quem governava mantinha o estigma do medo, para poder continuar governando.

Não é de se estranhar que Roma expandiu pelo medo das tribos bárbaras, a Igreja dominou a Idade Média pregando medos de demônios e bruxas, os nazistas fizeram o que bem entendiam para defender a pátria dos perigosos judeus ou nossa ditadura ficou no comando duas décadas para nos proteger dos comunistas comedores de criancinhas.

Notamos aqui que a todo o momento falo do medo do Outro. Tudo que é diferente e alheio a nós é aterrorizante e ameaçador.

Com a Revolução Industrial nossas cidades cresceram de pequenos povoados, onde todos se conheciam, para cidades enormes com milhares de habitantes. Não conhecemos as pessoas que habitavam nossa própria cidade. O Outro ameaçador esta dentro da nossa fortaleza. O Datena vive me lembrando como é perigoso lá fora. Se antes sentíamos medo de bárbaros selvagens ou de bruxas e demônios, agora sentimos medo de nós mesmos.

Por isso acredito que os filmes de Zumbi fazem tanto sucesso hoje em dia. É uma boa representação simbólica de como sentimos medo das pessoas ao nosso redor. Nunca sabemos quando seu vizinho, seu amigo ou sua própria mãe pode virar um morto-vivo e comer seu cérebro. O melhor desses filmes é que eles ficam o tempo todo tentando descobrir o que esta acontecendo e porque aconteceu, mas isso nunca é explicado ou sempre é irrelevante. Não precisamos de explicação, todos internamente sabermos que já estamos cercados por zumbis.

E agora, o que fazer? Bem, como todo personagem desses filmes de Zumbi vou me cercar de pessoas que não comerão meu cérebro, procurar comida e admitir que tenho medo. Dessa forma continuarei sobrevivendo, pois só tenho medo pelo fato de amar a vida.

Felipe Estevez

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Sobre André Nery

André Nery, formado em Publicidade e Propaganda com ênfase em Marketing pela Unaerp de Ribeirão Preto em 2009. A experiência que adquiri até o momento foi como Design, que embora aprecie muito, tenho afinidade, interesse e disponibilidade para atuar nas demais áreas da Publicidade. Ver todos os artigos de André Nery

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