Meu encontro com Forrest Gump

Não faz muito tempo a vida me presenteou com uma daquelas surpresas simples, mas que fazem você ficar pensando por um bom tempo.  Estava seguindo meu caminho, quando um homem sentou ao meu lado no ônibus e começou a puxar conversa. Um psiquiatra mais tradicional facilmente o diagnosticaria como portador de uma deficiência mental leve (DSM: F79.9 ). Já eu, menos cientifico, prefiro diagnosticá-lo como: Forrest Gamp.

Os sintomas eram facilmente observáveis: prazer em conversar, facilidade ao contar sua história a pessoas totalmente estranhas, uma ingenuidade cativante, uso de um boné de propaganda, um olhar distante e sonhador, mala cheia de lembranças …

No principio estava com sono (eram 5 da manhã), e já comecei a pensar numa forma de cortá-lo para poder dormir. Mas sua conversa foi tornando-se tão interessante que acabei ouvindo. Entrei nas suas histórias de tal forma que não tinha como evitar qualquer forma de envolvimento.  Que momento teria perdido se o tivesse dispensado.

Devo admitir que senti inveja da forma como ele via o mundo. Às vezes nós ditos normais complicamos tanto a vida, e ela é tão simples! Suas soluções para as coisas eram de uma simplicidade, mas faziam um enorme sentido .  Ações que a maioria das pessoas veriam como ofensivas  ou ignoráveis, ele via como algo fantástico.

Algumas pessoas o julgariam mal, eu via um homem extremamente sábio.  Naquele momento ele me ensinou coisas que muitos mestres e doutores tentaram me passar na faculdade sem sucesso algum.  Ele via, ele sentia, ele vivia! Foi um imenso prazer conversar com essa pessoa.

Isso também me fez pensar como passamos correndo pela vida…. sempre com nossos afazeres e a habitual pressa. Quantos “forrest gumps” passam por nós, e não damos o menor ouvido.  Quantas coisas maravilhosas estão ao nosso redor e simplesmente não vemos.

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Sobre Felipe Estevez

Felipe Estevez. Psicologo formado pela Unesp-Assis, especializando em Psicoterapia Breve. Arqueólogo dos sentimentos, apaixonado por Simbologia e conversas entre amigos. Sempre em busca de si. Ver todos os artigos de Felipe Estevez

2 respostas para “Meu encontro com Forrest Gump

  • Sydnei

    Esses momentos são realmente surpreendentes, Stvz. E acredito que impacta principalmente a nós, humanóides, que temos a tendência de achar que conseguimos diagnosticar os problemas que assolam esta humanidade sem ao menos ousarmos sair da bolha universitária em que se enquadra a nossa academia.

  • André Nery

    Eu também, já tive um encontro assim e me perguntei o que teria acontecido se não tivesse dado corda para o papo. Infelizmente todos nós somos programados pra estranhar e evitar tudo que seja diferente do “padrão” e muitas vezes não se dá conta do que pode estar deixando pra trás.

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