“Quanto eu vou ganhar quando crescer?”

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Olá, caros leitores.

Essa semana, começo a preparar uma série de palestras que a Ecom costuma fornecer em algumas cidades da região e mesas redondas com grandes amigos meus que estudaram em diversas áreas. Decidi escrever esse post pois pela primeira vez, fui escolhido para definir o tema. Vale lembrar que eu sou objeto do meu próprio estudo. Por isso, antes de encarar isso como só um desabafo, lembre-se também de “não pensar” nas suas escolhas =).

PEIXE FORA DO OCEANO!

Às vezes me sinto como um peixe fora de um oceano de dúvidas, pessoas, certezas e opiniões. Digo às vezes  pois não é sempre que penso e sofro por isso.

Em vários momentos em meio a uma sala de aula, como professor, me vi falando sozinho, e por várias vezes tentei fingir que meu trabalho era importante naquele momento, explicando para um ou outro aluno, e por várias vezes também, percebi que nem eles acreditavam que pudesse dar certo, mas estavam com fé ali. Nessa hora da vontade de sentar e começar e esperar que cobrem algo que me motivem. De repente era isso que eu deveria ter feito.

Ontem, quinta feira, fui com minha avó e mãe no posto de saúde, e vi profissionais médicos (que é minha primeira paixão e ideal) agindo como não raras vezes vejo: Indiferentes.

Claro, que nem todos são, e muitas vezes não eram. Alguns simplesmente querem fazer seu trabalho, mas o posto ou hospital não fornece a estrutura administrativa necessária, o que gera desrespeito aos pacientes por parte da administração, desmotivação desses profissionais que por hora não eram indiferentes e acabam sendo contaminados com esse sentimento que tive na sala de aula.

É aí que começam as dúvidas de muitos dos meus alunos e amigos. O que fazer? A vida, até onde sabemos, parece ser uma só e enquanto somos quem somos, devemos fazer escolhas certas. O conceito de certo nesse caso me parece ser um pouco equivocado mas me serve de base para entender o que se passa comigo e com vários neste país.

Pessoas ficam com medo por exemplo, de declararem amor a filosofia, matemática, física, história, letras e por aí vai. Esse medo é justificável quando pensamos no emprego (condições de trabalho, relevância sustentada pela sociedade) e salários (que é fundamental para recompensar pelo esforço).

Em um país que investe-se milhões em pesquisa na área biológica e exatas, e falta em pesquisa na área de humanas, o que vemos, é cada vez mais a valorização do técnico, do exato, do objetivo.

Queremos ser um povo rico e tecnologicamente desenvolvido e continuarmos presos a debates políticos sem cabimento, sujeitos a violência banal e estupida por falta de politicas públicas (pautada nos estudos de sociólogos e antropólogos), Bacharéis em Direito para serem delegados e outras funções mais e de fato exercer o poder de justiça e regulamentação do pacto social que temos, psicanalístas que podem contribuir de várias formas possíveis para orientar, direcionar, entender indivíduos e estudar uma sociedade como a nossa, que mesmo munido de um tablet super poderoso e moderno, ainda comete a insanidade de simplesmente  se negligenciar a entender política e seus derivados,  a um povo que lamenta que a educação pública esteja, no geral, muito ruim e prefere então ao invés de cobrar do estado, estar presente, votar com consciência, simplesmente procuram a iniciativa privada e pronto.

Eis o resultado: Unesp, USP e Unicamp (a exemplo) populisticamente ficam fazendo políticas de inclusão de alunos de escolas públicas, seja reservando vagas ou “dando” pontos aon invés de melhorar a educação de TODOS! Desculpa, mas isso é uma exclusão dos alunos cujos pais      (incluindo aqueles com renda incompatível com o padrão de escolas particulares)  muitas vezes há anos atrás decidiram ralar para pagar escola particular (detalhe, continuaram pagando impostos) e agora eles são proibídos de: Concorrer a prouni, disputam um número menor de vagas em esscolas que reservam para os de escola pública, e não recebem acréscimo nenhum!

Tudo isso é o cenário da uma vida que foi tomada pelo viés da graduação, do estudo, da capacitação. Cenário que possui as três fases:

O antes: Quando as pessoas estão desamparadas, pois estão crescendo e a pergunta “o que eu quero ser quando crescer?” mudou para  “quanto eu vou ganhar quando crescer?”. A sociedade, o Estado e entre tantos outros problemas deturpam a idéia de educação, de crescimento. O aluno é ambandonado a própria sorte e tem de fazer escolhas sem nem saber quais podem ser as consequências.

O durante: A permanência, a seriedade do curso e a perspectiva de futuro.

O depois: Com o diploma na mão, cai no mundo, e ai fica exposto a uma sociedade que ou não entende sua função ou a reduz. Seja pela relevância que se dá ao profissional, seja pelo salário.

Ver médicos, enfermeiros, secretárias e etc, como no exemplo de  um posto, que não conseguem lidar com o olhar direto de um paciente, que passam reto, muitas vezes quando são interpelados por um senhor perguntando algo, respondem andando e não param para ver do que se trata. Aí quando um se destaca e para, vira matéria de JN. Vergonha! Isso não deveria ser matéria “inédita” isso deveria ser rotina.

Ver professores que chegam na sala de aula para fingirem que dão aula e os alunos fingirem que aprendem é desanimador, mas é mais quando alunos e professores que realmente levam a sério viram matéria de JN. Vergonha! Isso não deveria ser matéria “inédita” isso deveria ser rotina.

Separei alguns links para que as pessoas possam entender um pouco dessa porcariada toda que chamam de “inclusão”, “democratização” e outras tantas palavras bonitinhas que são usadas para dizer coisa nenhuma.

Hipocrisia (Antes de ler, pense numa pergunta: Quantos destes fazem o cursinho preparatório para OAB, resposta: 100%)

Apoio e dilema – Lutar para melhorar ou aprender a não investir em projetos EFUSIVOS?

Medicina de Macaé, o retrato da tragédia do REUni. 

Um pouco de MOVIMENTO ESTUDANTIL DE VERDADE 

 O post é longo sim, assim como é longo o tempo que fiquei pensando em cada ítem que ia colocar aqui. A idéia não era falar da minha paixão pela medicina, pela sala de aula e nada semelhante, a idéia era provocar a reflexão demorada, em cima de um assunto que envolve a tudo e a todos, tomando apenas dois exemplos que conheço bem.

Boa reflexão. E obrigado por ler.

Abraço.

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Sobre Bruno Oliveira

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