Felicidade é que nem cheque especial

Ouço falar que a vida é frágil, que a felicidade é curta, que o amor é um cristal e tantas outras coisas do tipo que me pus a pensar sobre o assunto.

Eu discordo plenamente de tudo isso. Para mim, a felicidade é como cheque especial, depois que você entra você nunca mais consegue sair, nunca mesmo pois por mais que você consiga em algum mês ficar no azul, logo você volta a se aproximar do zero e cai pra baixo dele. O motivo é bem simples: Felicidade vicia, e crédito do cheque especial, aquele limite tão salvador, também.

Felicidade é uma dívida que temos com a própria vida. Gostamos tanto dela que as vezes nos sentimos culpados por isso. Quando eu ganho um presente, fico tão entusiasmado, tão feliz que já quero abrir logo, usar e usar…

É que nem trocar de carro, assim que o carro chega, nós lavamos, cuidamos dos detalhes, enceramos e etc., se tiver que ir a padaria há um quarteirão eu logo falo: Demoro, vou tirar o carro!

Isso é tão natural e por isso mesmo não entendo por que as pessoas escondem ou tentem disfarçar seu ânimo. Entusiasmo, como tudo no mundo, não pode ser exagerado, mas isso não significa não tê-lo.

A analogia com cheque especial não é a favor do cheque especial, mas é o mesmo sentimento: Quase todo mundo tem, quem não tem, rala para não precisar pois consegue viver com o que tem, assim como faz com a felicidade, mas quando quem tem precisa ele é o salvador. Nos sentimos culpados, mas mesmo assim usamos. Ele resolve nosso problema do agora e nos cobra juros por isso, e quem disse que a felicidade não cobra os juros?

Parece que temos medo de ser feliz, medo de expressar quem somos e por que somos. A felicidade atrai felicidade, e contrário aos do cheque especial, esses juros a gente aceita, mas sempre com o pé atrás.

A confiança, por exemplo, ninguém vive sem ela, mas é importante ter cuidado com ela e não desconfiar de tudo e de todos. Isso não pode ser feito com ingenuidade, simplesmente dar confiança é uma arte que exige cuidados, mas que quando fica pronta, nos deixa satisfeitos.

O amor é a mesma coisa. Quando alguém me diz que o amor é algo delicado, frágil, eu logo digo que então não é amor, pois amor mesmo, que nem aquele de mãe, de amigos, de namorados que se amam fortemente, enfim, todos esses que sempre conhecemos alguns exemplos, não desiste, não se quebra facilmente, pelo contrário, precisa-se de muito para conseguir romper.

E a vida então? Tem gente que acredita tanto nela, que gosta tanto nela que até morre, mais ou demora ou precisa ser uma tragédia para que a vida se vá.

Plantas nascendo no asfalto, animais que aguentam uma sobrecarga imensa de trabalho, seres humanos que sofrem das mais diversas adversidades e estão aí.

Que a vida, em determinados momentos está entre continuar ou cessar eu não duvido, mas preste atenção na frase novamente: Que a vida, em determinados momentos…

Acabo meu post dizendo que essa não é uma mensagem de autoajuda. Pelo contrário, é uma mensagem de quem tem algo na vida para dizer, e de quem tem por muitas vezes esqueceu e viu alguns próximos esquecerem também, que a vida é a corda forte, o cabo de aço e a tristeza é só um fiapo de cabelo caído no terno, o qual a gente deve eliminar com uma escovinha e cair no mundo.

Abraço

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Sobre Bruno Oliveira

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