Pequenos Prazeres

 Sentir o cheiro de um pinheiro; ver gotas de chuvas escorrendo pela janela; deitar na grama; fazer carinho atrás da orelha de minha namorada; conversar de madrugada com amigos em colchonetes; estourar plástico-bolha; a sensação de um abraço longo e gostoso; comer frango assado com a mão; mergulhas numa piscina de bolinhas; vento, música e estrada; ver o mercúrio do termômetro subir; assistir um filme trash bizarro; contar piada sem graça; correr em um campo; ouvir um córrego … Esses são alguns de meus “pequenos prazeres”.

São fenômenos interessantes. Em algum momento na vida passamos por uma experiência e descobre-se que ela é especial, e proporciona uma sensação de prazer. Ela passa, de certa forma, a fazer parte de nós, pois com o tempo descobrimos que nem todas as pessoas sentem o que você considera bom, pelo contrário, sentem em outras coisas, ai decide-se experimentar e isso vira uma deliciosa reação em cadeia.

Quando assisti ao filme “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain” me veio na cabeça fazer uma lista dos meus pequenos prazeres. Ao criá-la logo percebi algo interessante: a maioria deles é gratuito, simplesmente temos a sorte de esbarrar ou é uma soma de fenômenos aleatórios que leva ao acontecido.

O que me leva ao seguinte pensamento: será que dinheiro compra prazer? Em outras palavras, é possível ir atrás de prazer e encontrá-lo? O atual sistema de consumo diz que sim… Compre a cerveja tal,e será feliz com os amigos. Use esse desodorante e até anjos assexuados vão ir atrás de você. Coma esse iogurte e suas idas ao banheiro serão prazerosas;  Compre, use, coma… São verbos imperativos e são usados para impor valores. Tentam de todas as formas transformar os produtos em “pequenos prazeres”. Diminuem a importância de nossos prazeres, ao ponto de ridicularizarem. Afinal, o que parece mais importante, comprar a cinta que emagrece ou fazer caretas no espelho até se sentir melhor?

Não sou simplório de acreditar que dinheiro não compra felicidade. É possível realizar grandes sonhos com ele (comprar uma casa, viajar, ter o que deseja). Só penso que as vezes atropelamos pequenas coisas que poderiam nos alegrar pelo simples fato de estarmos cegos atrás desses sonhos. Temos sim, que seguir nossos caminhos, tentar realizar os nossos sonhos, mas aproveitando as pequenas coisas que enriquecem nossa existência (acredite, muitos deles são grátis), sabendo separar e filtrar o que de fato é nosso e o que é desejo enlatado. E lembrar que essa lista sempre cresce. Agora mesmo vou acrescentar mais um: “colocar meus pensamentos bizarros nesse blog.”

 

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Sobre Felipe Estevez

Felipe Estevez. Psicologo formado pela Unesp-Assis, especializando em Psicoterapia Breve. Arqueólogo dos sentimentos, apaixonado por Simbologia e conversas entre amigos. Sempre em busca de si. Ver todos os artigos de Felipe Estevez

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