É no fim que a gente entende o começo…

Tudo que acaba nos faz pensar no começo. Seja o alívio de uma dor, nos remete a sua causa, seja o amor que se esvaziou nos remete ao plantar de uma semente tão inconstante e tão imprecisa de definições.

Angustiante é chegar em um lugar sem fim, e entender o quanto de coisas deixamos de começar por vezes por medo, outras por simples não saber que um dia sentiríamos falta.

Ouso dizer que o valor das coisas só se percebe no fim, pois é justamente quando conseguimos perceber o começo.

Por pontos finais no passado, resolver problemas e lembrar de momentos bonitos, porém findados é essêncial para entender quem somos.

Será que quem somos importa? Será que somos alguma coisa? Ou simplesmente estamos?

“Um dia acordei, e virei na cama olhando pro lado, vi o calendário e mais um aniversário estava passando. Olhei para o teto, e contabilizei quem eu sou. Pensei: Se persigo o meu sonho, posso conquistar a felicidade, se vivo a vida, posso viver a felicidade que me conquista. Não sei preferir entre uma coisa e outra, mas sei que sorri, como sorrio quando bebo um suave cálice de vinho, despreocupado mas ao mesmo tempo com dor.

Dor de uma alegria de alívio por viver, ter saúde e ter memória, mas também o sorriso de quem bebeu para esquecer as memórias que dificultam o meu levantar da cama.”

Destaquei esse trecho por te-lo escrito naquela manhã. Senti falta de pessoas que nem sequer me procuram e olhei com carinho para as que fazem questão da minha presença. Comecei a analisar se valia a pena valer a pena para as pessoas as quais eu julgava serem importantes, mas que no fundo, não me queriam como eu sou, era ou serei…

É no olhar triste da morte que percebo a referência da proximidade com ela e do afastamento da vida. Proximidade essa que faz a gente se mover como quem querendo aproveitar vida antes que esta resolva não mais aproveitar a gente.

É chegando ao fim de cada dia que morremos para nascer no outro dia até que chega o dia que nascemos para não mais nascer e nesse dia percebemos o quanto fomos felizes. Mas é só nesse dia também que é possível avaliar se morremos todos os dias com a missão cumprida de preenchermos a alma de luz, é ao olharmos para o lado e vermos as pessoas que realmente nasceram e viveram e morreram  conosco  cada dia, bem como nós com elas e vice e versa, versa e vice…

É nesse dia que podemos sentir se faremos falta. As vezes a sensação de andar em meio a uma multidão pequena, e sentir que andando ou parado ou nenhum dos dois não somos absolutamente nada.

O meu conflito com o Divino findou-se. A única coisa que muda se eu aceitar, acreditar ou perceber ou não é o modo como me conscientizo das coisas.

Prefiro ao invés de tomar partido dessa certeza ou dessa dúvida, morrer todos os dias e quando chegar no final, poder garantir para o Divino ou o não Divino, ou apenas para a idéia, que fiz tudo que achei correto, mesmo errando, a consciência não me deixou em paz e tentei não errar mais para acertar.

Como única certeza humana, a morte é um ponto referêncial. A morte nos faz entender a vida, é o fim que nos mostra o início e o caminho que tomamos. Mesmo que isso seja referente a um único dia.

Que todos possam nascer em paz amanhã.

E que a paz seja a única coisa que nunca morra em nossos corações.

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Sobre Bruno Oliveira

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