Quando o pára-quedas não abre

base jumping pulando precipício

Há algum tempo marquei um encontro às escuras. Às escuras talvez seja exagero, afinal nós já havíamos trocados algumas palavras pela internet, filosofado sobre a vida, religião e qual o melhor filme para um domingo preguiçoso. Um encontro “as luzes enfraquecidas pelo dimmer” talvez seja a melhor definição.

Marcamos de nos encontrar naquele barzinho legal que todo mundo estava falando e ela simplesmente não apareceu. Dois goles depois de uma caipirinha gelada meu celular vibra e eu leio a mensagem – “Blábláblá, desculpa não poderei ir, blábláblá beijos”.

Poxa, eu já tinha pensado em vários tópicos para conversarmos, assim com um pouco de sorte ela perceberia que meu papo vai além de bundas e/ou a última escalação do palmeiras (não necessariamente nesta ordem). Tinha algumas piadas prontas, alguns movimentos pré-estabelecidos. Sai de casa “vestindo” a minha melhor versão, tudo para acabar prematuramente em uma sms sem sal e despretensiosa.

Ok, ok, na verdade eu não dei a mínima, encontros às cegas são como pular de pára-quedas, no final ele pode abrir ou não… mas entenda, até aquele momento meus pensamentos já tinham voado longe (com a ajuda da caipirinha). Questionava-me – Será que ela faz barulhinhos engraçados quando beija?  Sonha também em fazer uma viagem internacional? Curte inovações na cama? Sabe cozinhar ou é um desastre como eu? Acredita em amor para vida toda? Sim, as coisas que sinto, quando sinto, são intensas.

Sou daqueles que torcem para que alguém chegue um dia e pergunte – Por que você demorou tanto? Que diga que sofreu por amor, mas que ainda acredita nele e quer saber qual é a desses meus desenhos cheios de significados e esse monte de bobagens que escrevo em um blog.  Gosto de ir à academia, mas também penso que alguém pode olhar e indagar – “Nossa,  ele malha, usa o cérebro e deseja abrir o coração? Pessoas assim ainda existem?”

Sei que ultimamente as pessoas estão muito confusas e ansiosas, qualquer manifestação de interesse é interpretada como um pedido de casamento ou um convite ao motel, mas a gente tem que tentar com alguém em algum lugar não é? Então por que não com um cara legal, que toma caipirinha sentado pacientemente naquele barzinho que todo mundo fala?

Hoje eu já nem lembro mais o seu nome fulaninha, mas eu admito, se escrevo é pra te encontrar. Encontrar a minha bolacha no fim do pacote, o sonho por detrás dos meus textos de amor, parte da minha felicidade e ao mesmo tempo da minha perdição. Alguém que me dará aquilo que nem sei que preciso, que descobrirá o meu melhor e o meu pior e nem por isso vai fugir.

Então, se você que está lendo esse texto gosta de cinema, não é sagitariana, adora dar e receber mordidinhas estratégicas, tem mais de 20 anos, é morena, acha graça em piadas sem graça, não curte tanto balada,  pretende algum dia perpetuar a espécie e comparece aos encontros que combina, me liga. Minha caipirinha já acabou faz tempo mas eu continuo aqui imaginando você.

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Sobre André Nery

André Nery, formado em Publicidade e Propaganda com ênfase em Marketing pela Unaerp de Ribeirão Preto em 2009. A experiência que adquiri até o momento foi como Design, que embora aprecie muito, tenho afinidade, interesse e disponibilidade para atuar nas demais áreas da Publicidade. Ver todos os artigos de André Nery

2 respostas para “Quando o pára-quedas não abre

  • Nice

    Bom, eu nao sou a menina, ne? rs… eu me encaixo em muitas coisas. O negocio é o seguinte: quem nao arrisca nao petisca

  • maysasantos

    Pra mim vc combina direitinho com “Pimentas do Reino” muito, muito sentimental, mas de todo texto o que me intrigou haha primeiro pq não uma sagitariana? kkkk sabia que de acordo com os astrólogos sagitário é meu par ideal (não sei pq) agora a outra questão, é a primeira vez que eu vejo um cara pedir uma morena e não uma loira ou uma ruiva… vc realmente me parece bem diferente e ainda bem que sua caipirinha já acabou pq isso poderia tirar suas reais noções da pessoa à sua frente rs

    Ps.: pesquisando os temas do blog.

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