“Crack” e a Elite dos excluídos – parte 1

O caminho que leva as drogas é conhecido há séculos: Curiosidade, desestruturação familiar, falta de conhecimento e principalmente a SOCIEDADE.

A hipocrisia e ignorância são as principais atrizes de um palco triste de se ter para um espetáculo dramático. Uma, pinta a córnea de uma elite burra (sem generalizar, porém uma grande maioria) com uma tinta guache bem forte e nada transparente, uma bucólica, badalada e desejada vida de consumo e check in para um convívio (patifaria, negociatas, putaria, julgamentos, fofocas e etc) social. E a outra fundamenta a certeza de que somente esses são os civilizados, um povo com a córnea pintada com cores e emblemas que representem a “cultura” ou a “nação”.

A elite a que me refiro, não são as pessoas ricas, classe média e nem intelectuais, me refiro aos que governam e decidem os rumos do nosso país. Eles, infelizmente representam, não a elite, mas o povo.

O povo entregou nas mãos deles o próprio destino. A elite financeira e social, se vale de uma herança, conhecimento e senso de oportunidade para não acabar como o povo; Nas mãos da elite que manda.

O exemplo disso? Basta se lembrar de quando uma  cidadã foi presa porque roubou um pote de manteiga e pão, e olha que eu nem preciso dar tantas referências, pois isso não aconteceu uma vez só, e também não será a última. Agora veja que curioso, essa cidadã foi parar na penitenciária sob custódia da defensoria pública, amargou meses e …. Bom, eu não sei o que aconteceu com ela, pois… a mídia não noticiou mais nada.

Já um grande ladrão de colarinho branco, jogador de futebol que atira na mão da mulher ou não, que seja… isso, ahhhh isso sim eu vou continuar ouvindo falar na TV. Mas o curioso é que ele ta sempre bem arrumado, entrando em carros do nível Mercedes pra cima e sempre escoltado de policiais e jornalistas.

Uhhhh o caso é de repercussão nacional e bla bla bla….

Com certeza a elite politica não representa o jogador Adriano, e nem a cidadã que roubou o pão la com a manteiga. Afinal, ahhh manteiga também???? Mas que pobre metido a ricooo neh??? Não se contentou com o pão?? 

A verdade é que os usuários de crack da “Cracolândia” são  algo em torno de 300 pessoas ou seja  0,0001% da população brasileira e surgiram não por vontade própria mas por vários fatores que não tangem somente às próprias escolhas.

Eles não são só vitimas, não… são culpados também da condição em que estão, mas não o são sozinhos.

Uma criança que cresce em um ambiente extremamente violento, não necessariamente irá partir para esse lado, mas isso não depende só dela. Os referênciais pai, mãe, família, irmãos e etc, podem influenciar, bem como exemplos de fora, como ativistas, voluntários e etc.

É impossível descobrir o verdadeiro causador da formação ou da deformação da personalidade de alguém, ou de um grupo de pessoas, mas é possível estudar e perceber as reais causas e trabalhar em cima disso.

A ação da polícia sobre a Cracolândia, não foi errada por sí só, ela foi necessária, mas será que essa ação integra um conjunto de outras ações para se acolher essas pessoas? Essa elite dos excluídos de um dos Estados, de uma das cidades de um dos bairros de uma das ruas desse páis?

É como querer abrir uma empresa. Tem-se o dinheiro, compra-se tudo, faz-se aquela mudança e não se contrata funcionários, não se organiza o atendimento, ou seja, a ação de comprar tudo para a empresa não foi complementada e por isso, não foi válida.

O buraco não só é mais embaixo, mas também é variado e multifacetado.

Perceber isso, pensar sobre isso, nos leva a (se realmente nos sensibilizarmos) pensar sobre as propostas que são debatidas (debatidas é modo educado de dizer: Fingidamente vomitadas pelo horário politico eleitoral) pelos candidatos (candidatos a se darem muito bem na vida). Podemos sim, ajudar nossos conterrâneos a começar melhorar de vida.

Um vereador, deputado, senador, prefeito e etc que possui idéias interessantes pode ser um bom passo para isso. Quais as idéias desses caras? Quais as nossas idéias?

O que seu bairro precisa? O que as pessoas do seu bairro precisam? O que as pessoas do bairro vizinho precisam?

Os postos de saúde estão bons?

Você acha que psicólogo e assistente social são importantes nestes serviços? Você entende o que eles fazem?

Se você não entende, você acha que aprendeu a pensar, filosofar na sua escola?

Por falar na escola, ela é segura? Tem professores bons? Os professores ganham bem?

Por falar nos professores, será que existem propostas de melhorias para eles? Você acha que eles merecem?…………………………..

Podemos ficar aqui atéééé você cansar de ler, porque eu não vou cansar de escrever.

O crack é um probleminha perto de tantos outros anteriores, tantos outros mais simples até, porém, ao escolher ele como isca para você ler esse texto, pensei não no fato, mas no contexto de toda a história envolvida na cracolândia.

Pois a cracolândia em sí não preocupa, mas o que preocupa é o que a gerou? Será que o que a gerou não irá gerar outros espaços com outros problemas com outras “soluções” meia boca?

O presente post não foi feito para esclarecer, eu nem me atrevo a tentar, mas foi feito para expor a minha opinião sobre o que é problema… não é o politico corrupto, é aceitarmos ele. Não é a cracolândia, é não querermos mais que ela exista e simplesmente não passamos perto ou apoiamos que ela seja simplesmente extinta, como varrer a sujeira para baixo de tapete.

Enfim, o problema não são os problemas, mas sim as sementes que foram plantadas por antepassados, e enquanto ficarmos nessa onda de deixar a vida levar, levar as coisas mais na boa e etc e tal, iremos regar essas sementinhas!

Levar a vida numa boa é maravilhoso, e importante, mas é preciso levar a vida numa boa e separar o tempo para  olharmos para o bairro vizinho, ou melhor para a rua vizinha, ou melhor ainda, para o vizinho…

Por falar nisso, deixa eu ir perguntar os nomes dos meus vizinhos.

Até lá.

No próximo post: Efeitos sociais, biológicos e políticos do Crack e cia ILIMITADA.

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Sobre Bruno Oliveira

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