Arquivo da categoria: Solidão

O caminhante

O caminhante segue seu caminho. A bússola é seu coração, o vento acaricia sua face, e os aromas de cada região alimentam suam alma incansável. Um passo leva ao outro, os metros se transformam em quilômetros, a paisagem muda, as pessoas e costumes mudam. Caminhar e seguir seu caminho, na imensa trilha que é a vida. Nossos corações são inquietos, nunca estamos satisfeitos pelo lugar onde vivemos ou onde estamos. A explicação é simples: somos seres nômades.

Nossos antepassados eram livres. Sobreviviam pelo que a natureza oferecia, e quando não mais era viável, desmontavam o acampamento e seguiam em frente.O mundo era nossa casa, e a vida uma eterna jornada para o desconhecido. A necessidade fez com que nos estabelecêssemos em cidades. Lugares que nos sufocam. Que privam nossas almas inquietas de desfrutar a liberdade. Mas nossos corações continuaram nômades, desejando sempre ir mais além..

Não é de se estranhar que caminhos sagrados como o de Santiago de Compostela, a Trilha Inca de Macho Pichu, ou a jornada até a Terra Santa continuam em plena atividade por séculos. Eles representam esse caminhar em busca do que é primitivo dentro de nós. Entrar em uma jornada em busca de si. Não é fácil deixar o cômodo e partir em direção ao desconhecido, mas é nessa mudança onde descobrimos nossas fraquezas, nossas dificuldades, nossos limites….

Em muitos símbolos da mitologia também vemos esse fenômeno. Heróis como Orfeu, Hércules e Ulisses viajam até os Infernos (ou Hades) em busca de respostas. Representam a viagem da vida até a morte, e a vitória da primeira.  Da mesma forma que o Sol, que desce para o mundo inferior para renascer no outro dia afastando a escuridão da noite.

O caminho representa o curso natural da vida, com toda sua beleza, suas mudanças de direção e o fim iminente da morte. Ai entra o herói, o poeta ou o profeta, que se aventuram no desconhecido, onde não há caminhos, e assim, descobrem uma nova rota para toda humanidade.

Termino com a despedida de Bilbo Bolseiro de Senhor dos Anéis,escrito por Tolkien, conhecido como “A ultima canção de Bilbo”:

O escurecer deste dia que finda
traz a jornada, há muito bem vinda.
A espuma branca nas ondas do mar,
num balanço eterno que vem me chamar.
Adeus amigos! Já vou partir;
e o por do sol devo seguir
neste barco que está ancorado;
para além mar, num caminho traçado.

As sombras da noite têm sido um tormento,
mas as velas já prontas aguardam o vento.
Sob o céu infinito eu vou navegar;
as amarras já soltas, estou pronto a zarpar.
Ilhas que o sol esconde de mim,
devo alcançar antes do fim.
Nas terras do extremo Oeste distante,
há noites tranqüilas e repouso constante.

Guiado por uma estrela em solidão,
parto num majestoso galeão
para as praias brancas além da enseada,
campos e montanhas da terra abençoada.
À Terra-média finalmente, adeus!
E também aos queridos amigos meus.
A libertação que preciso,
encontrarei neste Paraíso

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Qual é a realidade que você vive?

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Sempre encarei com certa naturalidade os meios que o ser humano encontrou de fugir um pouco da realidade ao longo dos tempos. Em certos casos é até necessário saudável, pois nos faz sair daquela rotina frenética que vivemos. Por exemplo, ir ao cinema em dias que estou muito tenso ou estressado. Pego uma seção, compro uma pipoca e naquelas próximas 2H embarco em outra história.

O problema é o outro lado da moeda, quando a fuga da realidade vai ao extremo e o ser humano embarca em drogas e acontece toda aquela triste história que se repete todos os dias.

Mas a fuga sobre a qual eu quero escrever é a que a internet está nos proporcionando. Há um tempo li uma reportagem que falava sobre os fakes do Orkut (você teve um?). Para mim, a única utilidade real que eles tinham era poder fuçar visitar o perfil dos outros sem que aquilo ficasse registrado.

Ao ler a reportagem acabei descobrindo que muitas pessoas usam esses perfis para simular uma vida diferente da sua, como se fosse um “The Sims nas redes sociais”. Você monta o seu perfil, suas características, seus gostos e entra nas comunidades FAKES.

Pasme, são mais de 100! Nelas é simulado todo tipo de interação “social”, por ex. é marcada uma balada em um determinado horário, ai as pessoas chegam e começam a interagir escrevendo frases como “Cheguei e pedi uma cerveja” ou “entrei na boate e fui direto para a pista de dança.” (sério).

Não para por ai, existem comunidades FAKES de agências de emprego, namoro e de jornal contando as última novidades desse mundinho.  Acredito que  podemos considerar que isso é só uma nova forma de interação criada, o problema é quando essa “vida virtual” extrapola.

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Minha teoria é que uma hora ou outra a pessoa terá que escolher entre um compromisso na internet e um na vida real, entre sair com amigos de verdade ou sair virtualmente com os amigos fakes. Qual será a mais cômoda? Se essa pessoa estiver passando por uma fase ruim ela vai acabar se voltando mais para a internet, será sua fuga daquela realidade que não consegue administrar e isso pode virar um hábito.

Não estou aqui para julgar, cada um encontra o melhor meio de viver uma vida plena e na maior parte feliz, mas é preciso ficar vigilante quanto a esses casos. Ser algo que você não é pode camuflar os problemas mas nunca irá solucioná-los.

Se você quer uma vida completa vai atrás do que te faz bem e encare de frente as dificuldades que vierem. Sei que falar é mais fácil do que fazer, mas optar por viver uma mentira nunca será o melhor caminho.

“É melhor tentar e falhar que se preocupar e ver a vida passar. É melhor tentar, ainda que em vão, que se sentar fazendo nada até o final”.


Tempestade Silenciosa

O GRITO -Tempestade silenciosa - Nao PenseObrigado pela sua mão, mas ela não está me ajudando em nada.
Obrigado a todos, mesmo, de coração.
Mas vendo daqui de longe percebo que tem certas barreiras que precisamos vencer sozinhos.
Sério, fiquem tranqüilos. O que não mata nos fortalece certo?

Pra ser sincero eu até quero que seja assim.
Preciso mudar as regras do jogo.
Vencer a mim mesmo, matar meu pior inimigo.

Ser auto-suficiente é uma missão agora, é um objetivo de vida.

Sim, vai ter dias que estarei um lixo.
Ou pelo menos com o modo “chatice aguda” ligado ao máximo.
Já peço desculpas de antemão.

Mas eu preciso fazer isso agora que estou de volta a minha tempestade silenciosa.
Estou de volta ao ponto zero onde tudo recomeça.

Não, eu não quis voltar pra cá. Mas sei que dessa vez pode ser diferente.

Sei que agora pode ser a minha vez.

Eu quero me conectar de verdade.
Sofrer por amor e chorar de alegria.
Sangrar sabe? Me sentir vivo!

Não quero mais esses dias mornos, com tons de cinza…. todos exatamente iguais. Quero e posso muito mais!
#PARTIU.

Beijo do gordo.


Pensamentos de uma noite

Eu digo que desisto, que não quero mais, que vivo muito bem assim.
Mas sei que não é verdade.

De um jeito ou de outro, sempre soube que dois é melhor que um, mas aprendi desde cedo que se resguardar te protege do sofrimento. Vivi assim, me mantendo por inteiro, às vezes sem saber o porquê. Hoje vejo que isso também te impede de reconhecer o novo. Se você não fica vigilante, acaba se transformando num vazo que abriga um cacto e ninguém poderá chegar muito perto.

Pra quem já passou pelas adversidades do amor, a solidão é um alívio, é aquele primeiro fôlego depois de emergir de um mergulho em águas estranhas.

É um lugar seguro.

Ai você chama os amigos, cai na noite, enche a cara e pega todas. Transa com o compromisso de um político, encena amor por uma ou duas horas e Cru Cruj Cruj thau!

Amor? É só aquela palavra que os filmes de comédia romântica cutuam. Gênero de filme que por sinal eu adoro, uma história simples onde você não tem dúvidas, receios e nem DRs (rs). A conta mais simples de todas: você+pipoca+cinema.

Estou na varanda observando o vento sacudir as árvores e um livro no meu colo chora por ter perdido minha atenção. Em momentos calmos assim a mente concebe pensamentos do fundo da alma, lembranças felizes, momentos que marcaram… Lembro de algo que a vida sempre faz questão de mostrar: as coisas realmente belas, só são vividas uma vez.

O sorriso estampado no meu rosto confirma o que minha mente já sabe, tenho um novo sonho para conquistar.

“Eu que não me sento. No trono de um apartamento. Com a boca escancarada. Cheia de dentes. Esperando a morte chegar.”

Beijo do gordo e boa noite.


Deus e sua onipresença

Não, este não é um post religioso e sim um post leigo e muito leigo sobre questões em que ninguém é especialista.

Certo dia entrei na sala de aula de um cursinho, com mais ou menos 150 pessoas presentes. Corporalmente estavam lá, mas queriam estar em outro lugar e algumas até eu acredito que desenvolveram a incrível habilidade de estar pois não correspondiam a nenhum estimúlo sensorial normal.

No decorrer dessa aula que nunca mais me esquecerei, percebi algumas coisas:

– Boa parte dos alunos não estavam na aula anterior, e por isso eu não poderia dar prosseguimento no conteúdo da forma que pensei

-Dos 150, uns 10 estavam ali na aula anterior mas não estudaram em casa

-Dos 10, pode ser que uns 4 tenham vindo na aula anterior e estudado em casa.

Ao olhar para aqueles 150 alunos, e saber que ao final daquela aula de 100min eu sairia com exatos R$20,00 mais rico ^^……..

Eu fiz uma conta bem simples,  a cada minuto eu ganhava 20 centavos!

Quer dizer que a cada minuto de meu silêncio total, eu ganhava 20 centavos. Com 5 minutos quieto, eu teria 1 real!!

Isso me deixa constrangido pois penso que é injusto, é errado. E aí piora… claro, porque quando penso que são 150 alunos, então:

Cada um contribui com 0,13 centavos por minuto, por aula de 100 minutos ele deu 13 centavos!!!

Por aula, eu dava até 3 conteúdos importantes para esse aluno passar no vestibular. Com 90 conteúdos ta bom. Ou seja, 30 aulas. Resultado?

Com R$3,90 + o esforço dele de estudar ele teria um curso completo de física com uma qualidade incrível!  Hahuhauahua sem modéstia alguma!

Por R$3,90. Pode um negócio desses? É bom demais da conta ou não é?

Não sei, sinceramente, pois mesmo sabendo que os 4 alunos valiam a pena ensinar, eu queria que os outros 146 também estivessem aprendendo. Nada contra eles, eu até os entendo, mas o que fazer com esse sentimento de estar ali de enfeite? 

Embora eu devesse valorizar os 4, os outros 146 também os atrapalhava, faltava incentivo, faltava uma série de coisas.

Tudo isso sempre me motivou a pensar em como ajudar, em como mudar aquilo, até o dia que eu ouvi de um aluno que eu não ia conseguir mudar nada, e mais um monte de coisa que prefiro não reproduzir pois não importa mais.

Questões como essa que me dão um nó na cabeça e dificultam até eu elaborar uma pergunta para Deus ou seja lá o que for, para alguém, para qualquer que seja a razão para tudo isso ser assim.

Não sei que pergunta fazer, imagina a resposta…

Angustia deveria ser esse titulo, mas a onipresença da necessidade de termos um Deus que dê sentido a tudo, é a única coisa que consegue momentaneamente me fazer me conformar um pouco.


Uma história sem vencedores

Assim como a maioria das pessoas, quando fiquei sabendo da tragédia envolvendo crianças numa escola do Rio de Janeiro, eu chinguei até a morte o responsável por isso.

Hoje, mais calmo e sabendo dos fatos, percebo que essa história só tem vítimas.

Não que isso justifique os atos, mas eu consigo entender quais foram os motivos que levaram esse homem a fazer o que fez e um deles com certeza foi o bullyng.

Primeiro vamos a alguns fatos:

  • O nome dessa pessoa era Welington, foi adotado logo quando criança, pois a mãe tinha distúrbios mentais e o rejeitou logo que deu a luz.
  • Era o irmão adotado caçula e perdeu os pais adotivos um após o outro no fim da adolescência.
  • Sempre foi quieto, fechado, trabalhava o dia inteiro e depois ficava a noite na internet , isolado numa casa, sozinho.
  • Sem antecedentes criminais, nunca fez nada a ninguém.

Como alguém assim pira e faz um negócio desses?

Acredito que a resposta vem de um ciclo que se iniciou a muito tempo, muito provavelmente naquela escola onde ele deu os últimos passos. Em entrevista, um ex aluno, colega de Welington disse que em 3 anos, ouviu a voz dele 4 ou 5 vezes… ou seja, desde sempre, Welington era fechado e com o bullying que provavelmente sofreu isso só deve ter piorado.

Assim que ouvi toda história , eu já suspeitei que essa pessoa tinha sofrido algum tipo de de bullying na vida, mas quando assisti a entrevista de uma vítima, pude ter a certeza. Na entrevista, um menino obeso disse o seguinte:

“Ele começou a atirar e eu a pedir pelo amor de Deus que não me matasse. Na hora que começou a recarregar a arma, ele olha pra mim e diz: –  Calma gordinho,fica tranqüilo que eu não vou fazer nada com você”

Uma vítima reconhece a outra, tenho certeza que na cabeça de Welington ele pensou que o menino sofria as mesmas coisas que um dia sofreu, e por isso, o “absolveu”.

Agora, não foi a primeira vez que isso aconteceu aqui no Brasil e no mundo, então ao invés de  discutirmos a possibilidade de usar detectores de metais nas escolas, de dificultar o acesso as armas,  não discutimos a real CAUSA de tragédias como essa?

Eu sofri bullying na minha infância por pessoas que eu considerava amigos, mas foi algo leve, e com algum esforço pude contornar a situação e sei que isso me ajudou a ser uma pessoa melhor. Mas fico pensando naqueles que não conseguiram o mesmo, que se prendem ao sentimento da indiferença e do abandono e assim se entregam ao ódio.

As vezes o “zoador” não está fazendo por maldade,  pensa que é só uma brincadeira e que todos vão interpretar dessa maneira, mas AI ESTÁ O PONTO, quem garante que todos estão achando brincadeira? Quem garante que o alvo da chacota não interpreta tudo como uma rejeição e guarda aquilo para sempre?

Eu culpo os pais, por que criança não nasce com preconceito e geralmente apenas repete o que aprende em casa. Precisamos ficar atentos, ensinar desde sempre que existem sim diferenças, mas que precisam ser respeitadas.

A criança precisa aprender desde cedo a se colocar no lugar do outro.

Não sou o dono da verdade e situações como essa podem ter causas muito mais profundas do que as expostas aqui, mas independente disso, não podemos nos deixar tornar insensíveis quanto a isso e começar a achar normal, temos que ficar vigilantes! Afinal da próxima vez pode ser o SEU filho a levar um tiro… ou a puxar o gatilho.