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Crack e a “Elite dos excluídos” – parte 2

Depois de um post miscigenado com indignação, em linguagem corriqueira, e com o intuito de iniciar e ou continuar algumas reflexões, neste post, gostaria de falar sobre o que tem sido feito.

Em Jacarepaguá, o jornal lançado sob o nome Bom dia Cruzeiro, por alunos do colégio Cruzeiro, trouxe em uma de suas primeiras reportagens, um entrevista com uma mulher, Maria Thereza Aquino.

  • Quem é ela?  Diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao uso de Drogas (Nepad), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

FONTE: TERRA VIDA E SAÚDE

Princípio ativo: O crack é uma mistura de cocaína em forma de pasta não refinada com bicarbonato de sódio. Esta droga se apresenta na forma de pequenas pedras e pode ser até cinco vezes mais potente do que a cocaína. O efeito do crack dura, em média, dez minutos.

Sua principal forma de consumo é a inalação da fumaça produzida pela queima da pedra. É necessário o auxílio de algum objeto como um cachimbo para consumir a droga, muitos desses feitos artesanalmente com o auxílio de latas, pequenas garrafas plásticas e canudos ou canetas. Os pulmões conseguem absorver quase 100% do crack inalado.

Efeitos:Os primeiros efeitos do crack são uma euforia plena que desaparece repentinamente depois de um curto espaço de tempo, sendo seguida por uma grande e profunda depressão. Por causa da rapidez do efeito, o usuário consome novas doses para voltar a sentir uma nova euforia e sair do estado depressivo.

O crack também provoca hiperatividade, insônia, perda da sensação de cansaço, perda de apetite e conseqüente perda de peso e desnutrição. Com o tempo e uso constante da droga, aparecem um cansaço intenso, uma forte depressão e desinteresse sexual.

Os usuários de crack apresentam um comportamento violento, são facilmente irritáveis. Tremores, paranóia e desconfiança também são causados pela droga. Normalmente, os usuários têm os lábios, a língua e a garganta queimados por causa da forma de consumo da substância. Apresentam também problemas no sistema respiratório como congestão nasal, tosse, expectoração de muco preto e sérios danos nos pulmões.

O uso mais contínuo da droga pode causar ataque cardíaco e derrame cerebral graças a um considerável aumento da pressão arterial. Contrações no peito seguidas de convulsões e coma também são causadas pelo consumo excessivo da droga.

Histórico: Ao contrário da maioria das drogas, o crack não tem sua origem ligada a fins medicinais: ele já nasceu como uma droga para alterar o estado mental do usuário.

O crack surgiu da cocaína, feito por traficantes no submundo das favelas e guetos das grandes cidades sendo, portanto, difícil precisar quando e onde realmente ele apareceu pela primeira vez. O nome “crack” vem do barulho que ele faz quando está sendo queimado para ser consumido.

Curiosidade: Existe uma variação do crack que tem um poder alucinógeno ainda maior, trata-se de uma droga chamada Merla. A Merla apareceu pela primeira vez nas favelas do Grande ABC em São Paulo e é feita com sobras do refino da cocaína misturada com querosene e gasolina.

Vemos que por ser um droga relativamente barata e por causar perda de noção de muitas coisas, ela se torna cara demais para sociedade.

Como podemos ler um pouco mais em: Anjos e Guerreiros

Um fotógrafo profissional de 40 anos, depois de passar noites vagando pelas ruas, evitando as pessoas, não resistiu aos apelos do vício e entregou sua câmera Canon de última geração, avaliada em mais de R$ 20 mil, nas mãos de um traficante. Em troca, pediu 30 pedras de crack. Duas meninas, uma de 8 e outra de 12 anos, satisfaziam todos os desejos sexuais de “craqueiros”, em uma praça do Rio, para ter a droga. Embora os efeitos devastadores do crack sejam conhecidos, nem mesmo os especialistas mais experientes possuem uma receita eficaz para tratar os usuários dessa droga. “Calcula-se que hoje pelo menos 1, 2 milhão de pessoas usem crack no Brasil. A maioria jovens. A gente não está falando de usuários de uma droga. A gente está falando de uma geração. Acho que estamos despreparados. Estamos de calças curtas. A gente não sabe como lidar com isso”, reconhece a psiquiatra Maria Thereza Aquino, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que durante 25 anos dirigiu o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad).

Os dramas dos personagens acima foram relatados a profissionais do Nepad, instituição que capacita professores, desenvolve pesquisas e oferece atendimento psicanalítico e terapêutico aos usuários. “Eu, honestamente, de todos os pacientes de crack que atendi, perto de 200, de 2008 a 2010, só recuperei um”, admite a psiquiatra. Quanto ao aumento do número de usuários no Brasil, que já contabilizaria mais de 1 milhão de pessoas, Maria Thereza se refere ao estudo apresentado no início do mês passado pelo psiquiatra Pablo Roig, especialista no tratamento de dependentes da droga, durante o lançamento da Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack, na Câmara dos Deputados. “O crack tem uma extensão assustadora. Existe uma sensação de descontrole, de perda da situação”, afirma Pedro Lima, da Secretaria municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro. “É uma coisa que assusta muito a gente. O problema é que quase ninguém sabe como lidar com isso”, emenda a gerente de projetos da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Suelen da Silva Sales, ao anunciar a formação de 900 policiais (militares, civis e peritos) que vão atuar nas fronteiras do país para evitar a entrada de drogas como cocaína e pasta base usadas na produção do crack. “O crack apresentou nos últimos 5 anos um fato novo em relação aos desafios no campo da saúde. As respostas têm sido heterogêneas, atrapalhadas, precipitadas. É preciso serenidade, pois estamos diante de uma experiência trágica. É uma situação social de extrema gravidade”, alerta o coordenador da área de saúde mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado. Na semana passada, durante dois dias, um grupo de especialistas, incluindo Pedro Lima, Suelen Sales e Pedro Gabriel, se reuniu na sede da organização não governamental Viva Rio para definir estratégias e formular um documento com orientações de como tratar o problema do crack. As recomendações serão entregue a equipes do Programa de Saúde da Família.

De acordo com os especialistas, de todas as drogas o crack é a mais perversa. Por ser inalada, atinge diretamente o pulmão e o cérebro em cerca de oito segundos. Como o efeito é rápido, o usuário quer consumir cada vez mais, para manter a sensação de prazer constante. Com a frequência, o usuário se torna dependente em menos de cinco vezes de utilização. As últimas pesquisas sobre a droga mostram que em geral 30% dos usuários de crack morrem nos primeiros 5 anos de uso.
“Quem usa crack está sob a ação de uma cocaína quase 80 vezes mais poderosa do que a cocaína comum”, atesta Maria Thereza Aquino.
“O indivíduo algum tempo depois, três meses depois do uso, começa a ter tosse sanguinolenta, o nariz não para de escorrer, começa a decompor a musculatura, fica com uma magreza só comparável à magreza da Aids. Ele fica frágil, o pulmão arrebentado, o cérebro também sofre pequenas hemorragias. Então, o sujeito pode ter um comportamento errático. O que você consegue perceber no usuário de crack é uma espécie de indigência mental e física muito grande”, analisa a psiquiatra. Para ilustrar o estado de um dependente de crack em estágio avançado, Maria Thereza costuma contar o relato de um de seus clientes. “Um paciente meu, universitário de 19 anos, estava namorando uma garota que frequentava com ele redutos de consumo de crack. Ele parou e voltou ao lugar para ver se a convencia – ela era de uma boa família – a parar. O rapaz disse que se viu diante da mais pobre menina de rua que já tinha visto. Era uma moça bonita e que estava em três meses completamente acabada. Essa droga provoca uma degradação humana assustadora”, conclui.
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“Crack” e a Elite dos excluídos – parte 1

O caminho que leva as drogas é conhecido há séculos: Curiosidade, desestruturação familiar, falta de conhecimento e principalmente a SOCIEDADE.

A hipocrisia e ignorância são as principais atrizes de um palco triste de se ter para um espetáculo dramático. Uma, pinta a córnea de uma elite burra (sem generalizar, porém uma grande maioria) com uma tinta guache bem forte e nada transparente, uma bucólica, badalada e desejada vida de consumo e check in para um convívio (patifaria, negociatas, putaria, julgamentos, fofocas e etc) social. E a outra fundamenta a certeza de que somente esses são os civilizados, um povo com a córnea pintada com cores e emblemas que representem a “cultura” ou a “nação”.

A elite a que me refiro, não são as pessoas ricas, classe média e nem intelectuais, me refiro aos que governam e decidem os rumos do nosso país. Eles, infelizmente representam, não a elite, mas o povo.

O povo entregou nas mãos deles o próprio destino. A elite financeira e social, se vale de uma herança, conhecimento e senso de oportunidade para não acabar como o povo; Nas mãos da elite que manda.

O exemplo disso? Basta se lembrar de quando uma  cidadã foi presa porque roubou um pote de manteiga e pão, e olha que eu nem preciso dar tantas referências, pois isso não aconteceu uma vez só, e também não será a última. Agora veja que curioso, essa cidadã foi parar na penitenciária sob custódia da defensoria pública, amargou meses e …. Bom, eu não sei o que aconteceu com ela, pois… a mídia não noticiou mais nada.

Já um grande ladrão de colarinho branco, jogador de futebol que atira na mão da mulher ou não, que seja… isso, ahhhh isso sim eu vou continuar ouvindo falar na TV. Mas o curioso é que ele ta sempre bem arrumado, entrando em carros do nível Mercedes pra cima e sempre escoltado de policiais e jornalistas.

Uhhhh o caso é de repercussão nacional e bla bla bla….

Com certeza a elite politica não representa o jogador Adriano, e nem a cidadã que roubou o pão la com a manteiga. Afinal, ahhh manteiga também???? Mas que pobre metido a ricooo neh??? Não se contentou com o pão?? 

A verdade é que os usuários de crack da “Cracolândia” são  algo em torno de 300 pessoas ou seja  0,0001% da população brasileira e surgiram não por vontade própria mas por vários fatores que não tangem somente às próprias escolhas.

Eles não são só vitimas, não… são culpados também da condição em que estão, mas não o são sozinhos.

Uma criança que cresce em um ambiente extremamente violento, não necessariamente irá partir para esse lado, mas isso não depende só dela. Os referênciais pai, mãe, família, irmãos e etc, podem influenciar, bem como exemplos de fora, como ativistas, voluntários e etc.

É impossível descobrir o verdadeiro causador da formação ou da deformação da personalidade de alguém, ou de um grupo de pessoas, mas é possível estudar e perceber as reais causas e trabalhar em cima disso.

A ação da polícia sobre a Cracolândia, não foi errada por sí só, ela foi necessária, mas será que essa ação integra um conjunto de outras ações para se acolher essas pessoas? Essa elite dos excluídos de um dos Estados, de uma das cidades de um dos bairros de uma das ruas desse páis?

É como querer abrir uma empresa. Tem-se o dinheiro, compra-se tudo, faz-se aquela mudança e não se contrata funcionários, não se organiza o atendimento, ou seja, a ação de comprar tudo para a empresa não foi complementada e por isso, não foi válida.

O buraco não só é mais embaixo, mas também é variado e multifacetado.

Perceber isso, pensar sobre isso, nos leva a (se realmente nos sensibilizarmos) pensar sobre as propostas que são debatidas (debatidas é modo educado de dizer: Fingidamente vomitadas pelo horário politico eleitoral) pelos candidatos (candidatos a se darem muito bem na vida). Podemos sim, ajudar nossos conterrâneos a começar melhorar de vida.

Um vereador, deputado, senador, prefeito e etc que possui idéias interessantes pode ser um bom passo para isso. Quais as idéias desses caras? Quais as nossas idéias?

O que seu bairro precisa? O que as pessoas do seu bairro precisam? O que as pessoas do bairro vizinho precisam?

Os postos de saúde estão bons?

Você acha que psicólogo e assistente social são importantes nestes serviços? Você entende o que eles fazem?

Se você não entende, você acha que aprendeu a pensar, filosofar na sua escola?

Por falar na escola, ela é segura? Tem professores bons? Os professores ganham bem?

Por falar nos professores, será que existem propostas de melhorias para eles? Você acha que eles merecem?…………………………..

Podemos ficar aqui atéééé você cansar de ler, porque eu não vou cansar de escrever.

O crack é um probleminha perto de tantos outros anteriores, tantos outros mais simples até, porém, ao escolher ele como isca para você ler esse texto, pensei não no fato, mas no contexto de toda a história envolvida na cracolândia.

Pois a cracolândia em sí não preocupa, mas o que preocupa é o que a gerou? Será que o que a gerou não irá gerar outros espaços com outros problemas com outras “soluções” meia boca?

O presente post não foi feito para esclarecer, eu nem me atrevo a tentar, mas foi feito para expor a minha opinião sobre o que é problema… não é o politico corrupto, é aceitarmos ele. Não é a cracolândia, é não querermos mais que ela exista e simplesmente não passamos perto ou apoiamos que ela seja simplesmente extinta, como varrer a sujeira para baixo de tapete.

Enfim, o problema não são os problemas, mas sim as sementes que foram plantadas por antepassados, e enquanto ficarmos nessa onda de deixar a vida levar, levar as coisas mais na boa e etc e tal, iremos regar essas sementinhas!

Levar a vida numa boa é maravilhoso, e importante, mas é preciso levar a vida numa boa e separar o tempo para  olharmos para o bairro vizinho, ou melhor para a rua vizinha, ou melhor ainda, para o vizinho…

Por falar nisso, deixa eu ir perguntar os nomes dos meus vizinhos.

Até lá.

No próximo post: Efeitos sociais, biológicos e políticos do Crack e cia ILIMITADA.