Arquivo da tag: família

A “TV” nos tirou…Peguemos de volta!

Em uma tarde muito gostosa, dentre tantas outras, conversando com minha avó, descobri mais coisas sobre o passado tanto da minha família quanto das famílias em geral.

Finais de tarde com pessoas reunidas nos alpendres, calçadas, varandas, festas juninas onde o pai de meu avô fazia o quentão e experimentava a cada porção servida rsrs. Ele abraçava a arvore para se manter de pé.

Dizer que isso é melhor do que temos hoje é estar fora do contexto, mas a precisão de detalhes da personalidade de cada um dos meus antepassados, a riqueza e humor das diversas histórias contadas pela minha avó me levou à vários questionamentos.

As “malandragens” eram roubar frutas de algum pé e não conseguir descer da árvore, fugir de boi nervoso por ser cutucado, derramar doce enquanto a matriarca fazia a receita e por aí vai.

Evoluímos é claro, hoje os tempos são outros, mas perdemos coisas muito valiosas, por quê?

Tudo era motivo para parar e puxar uma boa proza, parar na casa do vizinho, reunir a família para um café, chá, um bolo; hoje, na maioria dos casos, o máximo que conseguimos é:

-Oi tudo bem?

-Oi tudo bem e você?

– Nossa preciso ir, a gente se vê! Tchau!

– Tch…

Não deu tempo de despedir.

Não podemos culpar apenas à televisão, muito menos dizer que era preferível o passado. Mas se pensarmos um pouco, qual o papel da Tv na nossa vida?

Pessoas sentadas vendo televisão, em muitos casos não se comunicam. Tem sempre alguem que diz: Ah mas eu converso com minha mãe ou meu pai, vendo TV. Ótimo que você consegue isso, digamos que você é uma % muito pífel do que seria o ideal.

As famílias foram desmembradas não por causa da Tv, e sim por causa dos valores. Mas quem introduziu e por onde, os valores que temos hoje?

Em algum momento, pessoas muito especiais chegam a conclusão de que algo precisa mudar, e aí vemos revoluções acontecendo. Tenho o prazer de conhecer muita gente que assiste menos de 2 horas de televisão por dia e convive com sua família ou amigos.

O poder de nos autoconhecer também passa pelo conhecimento de onde e com quem convivemos.

Por outro lado, conheço pessoas que não conseguem se desprender da Tv ou de outros meios mais modernos como a internet. Dias atrás eu mesmo comprovei isso comigo.

Das minhas 10h de folga de um domingo, passei quase 6h intercaladas em função da internet, seja conversando, seja vendo e-mails, vendo videos e tudo mais.

O poder de distração da internet é algo fantástico. Mas a internet é mais inteligente, nela você monta sua programação, mas também cai na angústia da renovação.

Por quantas vezes você não ligou o computador, clicou para entrar na internet e ou no msn, não tinha quase ninguém, e as pessoas que estavam on-line se trocaram um “oi td bem e novis?” foi o máximo; as notícias eram as mesmas da manhã, e ai você começa a navegar e chega dar uma pequena dor de cabeça como se estivessemos perdidos.

Este post não tem a intenção de criticar, nem positivamente nem negativamente, embora tenha levantado questões que podem ser encaradas sim como negativas. A intenção principal é refletir um pouco não sobre a internet ou a TV e sim sobre o que estamos deixando de lado.

Se você consegue aproveitar seus momentos de forma que vá lembrar e levar para novas conversas, tardes e memórias daquelas que são boas demais da conta de lembrar… parabéns.

Caso contrário, pense: Quantas conversas com pessoas que a gente nem vê mais só serão lembradas se vermos o “histórico”?. Quanto tempo desse dedicado à… à…. me falta o objeto indireto dessa frase… talvez por ele ser indireto mesmo.

Nada é totalmente ruim e nem totalmente bom, conscientizar-se do uso é importante, mas não deixe acabarem as chances de se aproveitar esses momentos para aí então se conscientizar a respeito do que deixou de lado.

Um abraço, e deixa eu me preparar, estou indo encontrar com os dois outros autores deste blog e amigos muito queridos (Felipe Estevez e André Nery), de um encontro de conversas, histórias e idéias, poderão sair novos temas para discussões bem interessantes!

Anúncios

Mãe…Pai… me ensina o que é amar?

Mãe? Queria saber o que é o amor… Perguntei ao papai e ele disse pra eu perguntar a você.

Mas mãe, se eu sou novo para entender, por que você me diz isso todo dia? 

Pra eu entender o que me diz, preciso conhecer isso, não?

Você acha que eu não posso entender? Pode ser por eu não ser como os outros?

Mãe? Pai? Por que vocês não me tratam como um ser humano que embora pequeno, vai crescer?

Eu não queria aprender o amor que o mundo me ensina. Na televisão outro dia, um jovem matou o outro por causa da namorada, ele ama ela? O outro amava ela? É isso que é amar então?

Já ouvi falar maravilhas desse amor, mas por que as pessoas choram? Por que dizem que estão sofrendo por amor?

Mãe, eu preciso de amor? Eu não acho que vocês se amam… Não do jeito que vejo na TV. Não do jeito que vejo casais jovens pela rua.

Por que vocês ficaram quietos? Vivem me dizendo que um dia eu vou aprender, que um dia eu vou entender, mas eu existo agora tá… assim só pra saber, não é que eu seja um psicólogo para já entender de sociedade, mas bem que eu queria estar preparado para entrar na vida.

As vezes você corre para a casa da sua mãe, mãe… por quê? Será que ela não te preparou direito para conhecer a vida?

A gente ama pra viver ou vive para amar? Será que se vocês me falassem, eu me tornaria uma pessoa menos insegura, mais ativa, com atitude? Pode ser né?

Mas que recusa é essa de explicar… vocês não sabem? O jeito é sair por aí perguntando, pesquisando. Só não me culpem depois, aprender o que é amor fora de casa, na rua, no cinema, com pessoas que talvez me ensinem da forma errada. Eu quase implorei para saber o que era amor.

Todos os dias, milhares de crianças imploram para saber o que é isso, e recebem de bala perdida, queimaduras, latões de lixo, prego no olho, empurrões, deslocamentos de ossos, fraturas, são humilhadas e estupradas… As poucas que recebem o contrário de tudo isso, crescem pessoas magnificas, por saberem o que é o amor, amam, por saberem como amar, amam, por saber de onde vem e para onde vai o amor… sonham.

Ninguém detem a verdade absoluta do que fazer ou o que pensar, mas só se consegue formular um pensamento se existe a base. A base sendo a familia, o amor, o carinho… com certeza essas verdades serão bem sólidas e úteis.

Lançar as perguntas para o alto e indagar Deus pelos problemas do mundo, recorrer a ele ou a instituição toda sempre que a coisa pega feia é uma das coisas que mais fazem esses pais… “Onde foi que eu errei meu Deus!!”… e Deus responde, sempre…

Nos deu olhos para contemplar

Nos deu coração para sentir

Nos deu boca para sorrir

Nos deu pernas para aproximar

 

Nos deu a natureza para ensinar

Nos deu a vida para sonhar

 

Nos deu braços e abraços…

 

Ele não deu amor, nos guiou

Para que com todos esses recursos

Pudéssemos construir o amor

 

Mãe, Pai… acho que alguém esqueceu

De concluir essa obra

De deixar todo mundo entrar

De abrir as portas e janelas

De pintar e decorar

 

Roubaram nossas ferramentas

Assim como roubaram

A união, a compaixão, a paciência,

A inocência, a brincadeira, o agradecimento

 

Mãe, Pai… o mundo não está louco

O mundo só está com muros demais

Fechaduras demais, jardins de menos

Não conhecemos nossos vizinhos

 

Mãe, Pai… acho que vou brincar aqui dentro mesmo.

Bom trabalho para vocês.